1- LEITURA DE TEXTO
ARTIGO
DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA:
H.C.P. EF05LP22
Por
que os morcegos, considerados possível fonte do coronavírus,
transmitem tantas doenças
Eles
foram a origem de epidemias anteriores de coronavírus,
como Sars e Mers, e
especialistas acreditam que podem ter causado o novo surto. Explicamos aqui por
que esses animais são portadores de um grande número de vírus.
Embora
ainda não se saiba ao certo qual animal é o vetor do surto de coronavírus que
surgiu na cidade chinesa de Wuhan e já infectou mais de 25 mil pessoas em todo
o mundo, todos os olhos estão voltados para o morcego. Mais recentemente, o pangolin,
animal semelhante ao tatu, também chegou a ser apontado como vetor inicial do
surto, mas, por serem notoriamente portadores de vários tipos de doenças, os
morcegos continuam listados entre as grandes possibilidades.
Esses
animais - os únicos mamíferos capazes de voar - já haviam sido a origem de
outras epidemias de coronavírus. No
início deste século, eles foram a causa da transmissão da síndrome respiratória
aguda grave, mais conhecida como Sars, que
infectou mais de 8 mil pessoas, das quais cerca de 800 morreram.
Em
meados da década de 2010, os morcegos foram a origem de outra doença
respiratória semelhante à Sars: a Síndrome Respiratória do
Oriente Médio (Mers), que afetou menos pessoas (cerca
de 2,5 mil), mas foi mais letal, causando a morte de mais de 850 pessoas.
Quanto
a este novo coronavírus -
formalmente chamado 2019-nCoV e agora batizado de covid-19 -, as autoridades
chinesas acreditam que ele se originou em um mercado de Wuhan que vendia frutos
do mar e carne de animais selvagens, incluindo morcegos e víboras.
Originalmente,
pensava-se que as últimas poderiam ser vetores, mas os estudos genéticos
descartaram isso. Além disso, um grupo de cientistas chineses revelou que o
2019-nCoV é quase idêntico aos outros coronavírus
transmitidos por morcegos.
E, no
final de janeiro, o jornal americano The New York Times publicou um relatório
sugerindo que o morcego-de-ferradura-grande chinês (Rhinolophus ferrumequinum)
poderia ser o principal culpado. O artigo, escrito pelo jornalista científico
James Gorman,
destaca que os morcegos são capazes de conviver com vários vírus, sem adoecer.
E não apenas o coronavírus.
Transmissor
Os
morcegos não apenas transmitem diferentes cepas de coronavírus, um
patógeno que em humanos pode causar inflamação pulmonar grave e febre.
Eles
também são um reservatório natural de outros vírus, como raiva e Marburg, Nipah e Hendra, que
geraram surtos na África, Malásia, Bangladesh e Austrália.
Os
cientistas que estudam o processo evolutivo do ebola também acreditam que a
doença poderia ter sido originada nesses mamíferos.
Embora
não sejam os únicos animais portadores de doenças com potencial de serem
transmitidas aos seres humanos - roedores, primatas e aves também são vetores
conhecidos - os morcegos costumam causar mais problemas do que outros.
Isso
não é realmente sua culpa, alertam os naturalistas. As transmissões geralmente
ocorrem quando o ser humano invade os espaços onde habitam, algo cada vez mais
frequente à medida que a população aumenta e os espaços naturais são
urbanizados.
Também
acontece quando esses animais são caçados, para comer ou para serem
comercializados, como parece ter acontecido em Wuhan.
PARA MAIS INFORMAÇÕES SOBRE ESTE
ARTIGO VISITE O SITE:
1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2020/02/12/por-que-os-morcegos-considerados-possivel-fonte-do-coronavirus-transmitem-tantas-doencas.ghtml
2- REESCRITA DE FÁBULA.
APÓS FAZEREM A LEITURA, REESCREVA A
FÁBULA, SEM CÓPIAS, USANDO SUA IMAGINAÇÃO. NÃO ESQUEÇA A PONTUAÇÃO.
O
LEÃO E O RATO
H.C.P. EF35LP25A
3- LEITURA DE TIRINHA
LEMBREM-SE: AO LEREM A TIRINHA,
BUSQUEM INTERPRETÁ-LA E ENCONTREM O
HUMOR NELA PRESENTE.
TIRINHA
– DENGUE / CORONAVÍRUS
H.C.P. EF05LP10
4- LEITURA
DE
TEXTO
CRÔNICA:
UM MUNDO LINDO
H.C.P. EF35LP29A
Um
mundo lindo
Morreu o último caracol da
Polinésia. Havia um caracol da Polinésia, um
caracol de árvore, e nenhum outro.
Era o último. E morreu. Morreu de quê?
Ninguém sabe me dizer. O jornal não
acha importante revelar a causa mortis de
um caracol da Polinésia. Noticia
apenas que com ele extinguiu-se a sua espécie.
Ninguém nunca mais verá em lugar
algum, nem mesmo na Polinésia, um
polinesiano
caracol.
Pois eu ouso dizer que sei o que
foi que o matou. Ele morreu de ser o
último. Morreu de sua extrema
solidão. Sua vida não era acelerada, nada capaz
de causar-lhe stress, mas era
dinâmica; ao longo de um ano, graças a esforços e
determinação e impulso fornecido
pela própria natureza, o molusco lograva
deslocar-se cerca de setenta
centímetros. Mais, teria sido uma temeridade.
Assim mesmo, de que adiantavam
esses setenta centímetros suados,
batalhados dia a dia, sem ninguém
para medi-los, sem nenhum parente amigo
companheiro que lhe dissesse, você
hoje bateu sua marca? Sem ninguém para
esperá-lo na chegada?
O último caracol da Polinésia
olhava ao redor e não via ninguém. Ali
estava, frequentemente, seu
tratador – o caracol vivia no Zoológico de Londres –
mas o tratador não era ninguém, o
tratador era qualquer coisa menos
importante que o tronco sobre o
qual o caracol se deslocava, o tratador era de
outra espécie. E via, sim, de vez
em quando via os pesquisadores que o
examinavam, olho agigantado pela
lente. Mas os pesquisadores não tinham
uma concha rosada cobrindo-lhes as
costas. Os pesquisadores também não
eram ninguém. Então o caracol da
Polinésia olhava o mundo, e o mundo estava
vazio. E como pode alguém viver,
como pode alguém querer viver num mundo
esvaziado de seus semelhantes?
Seguramente ele era muito bem
tratado no Zoológico, comida não havia
de lhe faltar – o que come, comia,
um caracol da Polinésia? – e de dia e de noite
estava livre de predadores. Seus
antepassados, talvez ele mesmo na infância,
tinham tido que lutar pela
sobrevivência. E a vida era dura. Mas lutavam em
companhia. Quando um deles era
esmagado – quantos caracóis são esmagados
mesmo na Polinésia! – outros
lamentavam sua sorte. Quando um deles se
atrasava em sua marcha – é tão
fácil a um caracol se atrasar – outros esperavam
por ele. Havia sempre companheiros.
E o mundo, povoado de companheiros,
era lindo.
Mas os outros, os outros todos
foram acabando aos poucos, vítimas do
único predador disposto a
transformar suas conchas em objetos turísticos. E o
último caracol da Polinésia,
cansado de ser o último, cansado de ser tão só,
deixou-se pisar pela Morte que
passava apressada, certo talvez de poder
renascer em algum mundo lindo, em
que milhares de ovos de caracol
preparam-se para eclodir.
Marina Colasanti
In: A casa das palavras. São Paulo: Ática, 2002. p. 15-16
5- ESCRITA DE CARTA DE LEITOR
APÓS LEREM A NOTÍCIA, ESCREVA UMA
CARTA DE LEITOR DANDO SUA OPINIÃO E ARGUMENTANDO SOBRE O ASSUNTO. NÃO ESQUEÇA
DOS COMPONETES QUE NÃO PODEM FALTAR EM UMA CARTA: DATA, SAUDAÇÃO,
IDENTIFICAÇÃO, OPINIÃO, ARGUMETAÇÃO, SUGESTÃO, DESPEDIDA , LOCAL E ASSINATURA.
CARTA
DE LEITOR
H.C.P. EF35LP15
Ministério
da Saúde desmente Fake
News sobre coronavírus
O
Ministério da Saúde publicou com o “selo Fake
News”
diversos boatos que começaram a circular na internet sobre o novo coronavírus.
“Novo coronavírus
causa pneumonia de imediato”, “Coronavírus veio
do inseticida”, “Chá de erva doce e coronavírus”,
“Medicamentos eficazes contra o novo coronavírus”,
entre outras notícias falsas já foram desmentidas e publicadas no portal do Ministério.
Para
combater as Fake News
sobre saúde, o Ministério da Saúde está disponibilizando um número de WhatsApp para
envio de mensagens da população. Vale destacar que o canal não é um SAC ou tira
dúvidas dos usuários, mas um espaço exclusivo para receber informações virais,
que serão apuradas pelas áreas técnicas e respondidas oficialmente se são
verdade ou mentira.
Qualquer
cidadão pode enviar gratuitamente mensagens com imagens ou textos que tenha
recebido nas redes sociais para confirmar se a informação procede, antes de
continuar compartilhando. O número é (61)99289-4640
Por
que as fake
news viralizam?
Durante
um seminário da Fiocruz sobre o tema, realizado em 2019, o pesquisador Cláudio
Maierovitch, destacou alguns pontos que podem gerar a disseminação das fake
news. “O
sensacionalismo com o tom alarmante e de ‘denúncia’ como essas notícias são
divulgadas pode ser um dos porquês da grande disseminação. Além disso, podemos
considerar um conceito ligado à psicologia chamado ‘viés da confirmação’, onde
a pessoa busca por argumentos para confirmar algo e nega argumentos contrários,
mesmo sem embasamento, isso ganha ainda mais força na internet pelo fato da
informação chegar personalizada para cada um, a partir do conteúdo mais
acessado e dados pessoais divulgados”.
PARA
MAIS INFORMAÇÕES VISITE O SITE: https://www.conasems.org.br/ministerio-da-saude-desmente-fake-news-sobre-coronavirus/
6- ATIVIDADE DE ORTOGRAFIA
PALAVRAS
TERMINADAS ICE / ISSE
“LEMBREM-SE:
PALAVRAS QUE PROVÉM DE VERBOS SÃO TERMINADAS EM ISSE COM DOIS SS.
PALAVRAS
QUE PROVÉM DE SUBSTANTIVOS OU ADJETIVOS SÃO TERMINADAS EM ICE COM C”
H.P.C. EF35LP07
7- LEITURA
DE TEXTO
LITERÁRIO:
SEVERINO
FAZ CHOVER – ANA MARIA MACHADO
H.C.P. EF35LP26
8- ESCRITA DE FINAL DE CONTO
CONTO:
UMA QUESTÃO DE PONTO DE VISTA
H.C.P. EF05LP11A
9- PESQUISA SOBRE O CORONAVÍRUS
PESQUISE
EM JORNAIS, REVISTA OU INTERNET, NOTÍCIAS, REPORTAGENS, ARTIGOS OU DADOS SOBRE O
CORONAVÍRUS.
NÃO
ESQUEÇAM DE VERIFICAR SE A FONTE DE PESQUISA É CONFIÁVEL. CUIDADO COM O
“FAKENEWS”
H.C.P. EF35LP17
10- LEITURA
DE TEXTO
TEXTO
JORNALÍSTICO
H.C.P. EF05LP15A
Contra
o coronavírus,
colégios de SP pedem que alunos troquem 'abraços por sorrisos‘
Escolas
montam plano de aulas em caso de quarentena e instalaram recipientes de álcool
em gel nas salas de aula. Unidade em SP foi fechada após confirmação
Com o
aumento de casos de coronavírus no
Brasil, escolas de São Paulo estão
adotando diferentes estratégias para evitar a transmissão da doença entre
os alunos. Os colégios estão fazendo campanhas para que os estudantes
troquem "abraços por sorrisos" - diminuindo assim o contato físico -, instalaram
recipientes de álcool em gel em todas as salas de aula e montaram
planos para o caso de terem de suspender as atividades pelo risco de
infecção.
Vírus
causa mudanças na rotina escolar em todo o mundo
A
epidemia de coronavírus afetou
profundamente a vida cotidiana em todo o mundo, com a suspensão na quarta-feira
passada das aulas em todas as escolas na Itália e
alertas de fechamentos de instituições de ensino nos Estados
Unidos,
aumentando os transtornos para quase 300
milhões de alunos em todo o globo, segundo cálculo do jornal
americano The New York Times.
A
conta deve seguir crescendo, já que os efeitos na Itália se ampliaram nesta
segunda, com a decisão de estender
a área de restrição de deslocamento para todo o país. Na
Espanha, o governo também anunciou adoção de medidas para contenção dos
contágios com a suspensão de aulas em escolas e universidades por ao menos duas
semanas. A decisão vale para a região da capital Madri e cidades do País Basco,
no norte, consideradas zonas de transmissão comunitária alta.
Há
algumas semanas, a China,
onde teve início a epidemia, era o único país a suspender as aulas. Mas o vírus
se propagou de maneira tão rápida que, na quarta-feira passada, 22 países nos
três continentes anunciaram o fechamento de escolas de vários graus, levando os
Estados Unidos a alertarem que “a escala global e a velocidade da atual
interrupção do ensino não tem paralelos”
TEXTO ADAPTADO - PARA
MAIS INFORMAÇÕES VISITE O SITE:
https://saude.estadao.com.br/noticias/geral,contra-o-coronavirus-colegios-de-sp-pedem-que-alunos-troquem-abracos-por-sorrisos,70003226675
11- ESCRITA DE UM FOLHETO INFORMATIVO
OBSERVE
O FOLHETO INFORMATIVO SOBRE O CORONAVÍRUS E CRIE O SEU FOLHETO COM O TEMA QUE
DESEJAR. FAÇAM PESQUISAS SE NECESSÁRIO.
H.C.P. EF35LP16B
12- ENCONTRE OS ERROS (ORTOGRAFIA)
REESCREVA O CONTO “SONHOS” CORRIGINDO OS ERROS QUE VOCÊ ENCONTRAR.
NÃO
ESQUEÇA DE OBEDECER A PONTUAÇÃO DO TEXTO.
H.C.P. EF35LP07
13- LEITURA
DE TEXTO
ARTIGO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA “A
INCRÍVEL FÁBRICA DE CÉLULAS” – REVISTA ONLINE - CIÊNCIA HOJE DAS CRIANÇAS
H.C.P. EF05LP22
A
INCRÍVEL FÁBRICA DE CÉLULAS
Talvez
você
ainda não saiba, mas o corpo humano é composto de trilhões de células. São
estruturas minúsculas, que poderiam ser comparadas a blocos de montar. Em nosso
organismo, esses blocos, ou melhor, células se dividem e dão origem a células
filhas, que podem “montar” e fazer funcionar as mais diversas partes corpo – um
órgão, por exemplo. Como acontece com os blocos de brinquedo, as células às
vezes têm defeitos e, ao se dividirem, dão origem a células filhas também
defeituosas, chamadas células mutantes. Quando isso acontece, é hora de
resolver o problema cuidando da saúde!
O corpo humano é fantástico, tem
células que se dividem, dão origem a novas células e morrem. Uma renovação que
nunca para e que mantém o corpo saudável. Mas nem todas as células são iguais.
As que são parecidas entre si formam os órgãos. A pele, por exemplo, o maior
órgão do corpo humano, tem células diferentes das que formam o coração, que
também são diferentes das do estômago e por aí vai… Essas diferenças estão
relacionadas com a função delas em cada órgão do nosso corpo.
Se você se lembra da abertura desse
texto, sabe que as células podem dar defeito, tornando-se células mutantes.
Essas se tornam incapazes de realizar as suas funções corretamente e apresentam
o “superpoder” de se dividir loucamente, dando origem a muitas células filhas
defeituosas e que, ainda por cima, se esquecem de que devem morrer. Isso leva a
um aumento exagerado do número de células e ao mau funcionamento do organismo,
deixando a pessoa doente.
Ação
contra mutantes
Quando há algo errado no corpo
humano, a natureza logo dá um jeito de resolver o problema. Assim, o nosso
organismo conta com um grupo de células que formam o chamado sistema
imunitário. Esse grupo é responsável por manter o corpo em equilíbrio, livre de
infecções e de células defeituosas. Um dos componentes desse sistema são as
exterminadoras naturais, que são capazes de identificar as células mutantes e
eliminá-las do organismo.
Você deve estar se perguntando se o
surgimento de células mutantes é uma coisa comum. A resposta é sim. Mas elas
são eficientemente eliminadas. Por isso, o surgimento de doenças devido à
presença dessas células defeituosas é algo difícil de acontecer. E é ainda mais
raro em crianças do que nos adultos. Quando acontece, quase sempre as células
que ficam alteradas são justamente aquelas do sistema imunitário, as do combate
às mutantes.
PARA MAIS INFORMAÇÕES VISITE O SITE: http://chc.org.br/artigo/a-incrivel-fabrica-de-celulas/
14- REESCRITA DE CONTO DE
MISTÉRIO/ASSOMBRAÇÃO
APÓS
FAZEREM A LEITURA DA SINOPSE E DO CONTO “A VELHA DE UM OLHO SÓ”, TRABALHADO NO
PROJETO CONTOS DE ASSOMBRAÇÃO DO LER E ESCREVER, REESCREVA A HISTÓRIA USANDO A
IMAGINAÇÃO, SEM CÓPIAS.
NÃO
ESQUEÇA DOS PARÁGRAFOS E DA PONTUAÇÃO.
H.C.P. EF15LP16 / EF35LP25A
“A VELHA DE UM OLHO SÓ” –de Adriano
Messias.
Trata-se do conto de uma
velha medonha, uma assombração ciclope que fica dentro de um quarto antigo,
aprisionando almas de crianças entre as tramas de um tear...
A VELHA DE UM OLHO SÓ - Adriano Messias
A aparição deve ter uns dois metros de altura. De mulher, ela conserva apenas alguns traços e o vestido roto. É esguia e fina como o bambu. O rosto mal se vê atrás da alta gola do vestido preto remendado, e os poucos dentes que tem são roxos. Na cabeleira desfiada, um lenço sujo seguro os poucos fios de cabelo presos em esparsos tufos aqui e acolá. A velha ria-se de maneira torta, virando a boca para o lado como as antigas senhoras que fumavam cachimbo em demasia. De dentro daquele corpo esquelético, ainda saiu mais uma frase: “Peste! Vou aprisionar você para sempre nas tramas deste tear, como fiz com os outros.” Achei tão previsível aquela figura. Até aqui, pois, sem cerimônia alguma, ela parece ter se desligado de minha presença, puxou uma velha cadeira que acompanhava o mobiliário rústico daquele quarto e se assentou relaxada, as pernas abertas sob o vestido. Lembro-me de uma imagem que vi na Igreja do Rosário em Lavras e depois vi em outras igrejas de Minas: chama-se santo de roca. Trata-se de uma figura de santo montada sobre uma armação de madeira. Um santo vestido. Quando o barroco era mais pobre, as irmandades religiosas de Minas Gerais não tinham dinheiro para imagens caras em madeiras nobres ou outros materiais, e, assim, ia segurando uma profusão de “bonecos” nos nichos e altares das igrejas. Quase todos feiosos, magérrimos, tristonhos. A bruxa lembrou-me um desses santos. Ela não era daquelas assombrações que riam fácil. Mas, se gargalhasse, alguém a escutaria? Duvido. O cômodo que abri é muito isolado do resto da residência. Após uns segundos assentada despojadamente, ela aponta o tear. Dirijo meu olhar para as tramas esticadas. Vejo nelas formas diferentes nas cores dos fios. Percebo o rosto assustado de vários outros garotos e garotas desenhadas pelo algodão. É uma coisa bizarra e amedrontadora. Então, encaro a velha e percebo que seus dois olhos não são mais do que rasgos fechados. Na testa, sob um tufo de cabelos que se jogou para o lado, estava um olho negro e sem vida, como um botão de um velho casaco, fixo em mim. O hálito que rodeia a mulher é antigo, tem o bafo de mil mofos e de bolores de centenas de anos. Sinto uma coceira insuportável no nariz e penso de imediato no medicamento antialérgico que trouxe na mochila. Dessa vez, o que me dá medo não é o que conversamos, mas o silêncio que nos aproxima. A velha bruxa está num outro plano de medos para mim. Acho que é o plano do “indizível” (falei difícil, mas não vem outra palavra agora). Ela nada diz, mas expressa muito naquela cena insólita: uma medonha figura descansando sobre uma cadeira dura. Mas o que ela é, André? Não passa de uma velhota, uma bruxa maluca... – grita minha consciência. Não tem disso: na hora do medo, até boi brabo amansa, até jiló fica doce.
— Sou tudo isso que você pensa que sou, rapazinho. Fio minhas tramas e delas tiro o que bem quero.
Estou aprisionado, imóvel por um estranho feitiço – mais por medo do que por feitiçaria. Sinto meu corpo adormecendo e não paro de lembrar dos rostos dos outros meninos nas tramas do tear. Eles me olham com desespero, como se pedissem ajuda sem poder falar.
“Está curioso para saber da roca e do fuso, André? Vou lhe explicar tudo, enquanto você vai meditando suas caraminholas...” – resmunga a aparição.
Um cenário horroroso se forma sobre as tramas, no lugar em que havia a imagem dos rostos dos meninos. Enquanto ela narra sua história, eu vejo os fatos se desenrolando como em um filme.
— Sou a velha de Um Olho Só, fiandeira de roca. Pego fibras finas, junto uma primeira torcida do polegar e do indicador, e é assim que vou fazendo crescer o fio. Então, com o fio crescendo, enrolo no fuso, girando rapidamente pela fiandeira. Usando o polegar, o indicador e o dedo médio na ponta superior do fuso, rodo da esquerda para a direita, com um pião preso ao fio, que vai torcendo e vai se enrolando, formando a maçaroca. Da maçaroca, o fio é tirado e enrolado em um novelo, e está pronto para ser trabalhado!
Ela vai falando e gesticulando. Faz uma mímica perfeita, e não consigo tirar os olhos de suas mãos finas e duras. Quando me sinto desfalecer de cansaço e medo, sou surpreendido por Eurípedes, que a tudo espreitava. O gato com certeza tinha entrado sem que eu o visse. O pulo que ele deu no cangote da velha me tirou do torpor hipnótico em que estava. Fui salvo por uma gato, quem diria. E depois dizem que gatos e bruxos se amam. Nem sempre.
Meu impulso primeiro antes de fugir é tentar arrebentar as tramas e libertar aquelas almas aprisionadas. Meu tempo é curto, entretanto. Eurípedes, como se fosse gente, me fez um sinal inteligente com uma das patas para que eu fuja, enquanto tenta arranhar o rosto da Velha de Um Olho só. Enfio apressadamente a chave na fechadura e ainda vejo a velha furiosa, antes de trancar a porta. Quando estou a salvo na cozinha, além da despensa e do quarto malassombrado do tear, dirijo-me à salona de visitas. Preocupo-me com Eurípedes. Como ele sairá de lá? Talvez alcance a abertura até o lado de fora da casa.
O silêncio da casa me assombra também. O carrilhão da parede marca meia-noite. Mas está parado. Já passam das três da madrugada no meu relógio de pulso.
Eurípedes mia do lado de fora da casa; encontrou seu próprio jeito de sair daquele quarto de fiar. Abro a porta da cozinha e o deixo entrar para debaixo do fogão de lenha, como se nada tivesse acontecido. Espreguiça-se para dormir, ronronando. Minha inquietação me move a realizar uma experiência sobrenatural. Dou corda no grande relógio de meu avô.
Por que será que o relógio parou exatamente à meia-noite? Acerto para três e cinco, que é a hora que marca meu relógio. Pego novamente a antiga chave esverdeada e abro a sala maldita. É como eu pensei: nada. Tudo calmo.
Ainda olho aterrorizado para as tramas esticadas no tear: agora são somente velhos e empoeirados fios encardidos pelo tempo. Escancaro a única janela do cômodo, respiro o ar da madrugada e vejo multidões de vaga-lumes buscando namoradas nos pastos mais além do terreiro. Pelo que entendi, somente com o relógio parado à meia-noite é possível entrar em contato com aquela criatura maligna. Deus me livre de voltar a encontrá-la. Mas preciso fazer algo para libertar aqueles prisioneiros. Tenho de pensar. Amanhã cedo consultarei minhas tias. Boa noite. Espero conseguir dormir. E você?
In Adriano Messias. Histórias Mal Assombradas de Portugal e Espanha. Editora Biruta, 2016.
15- ATIVIDADE DE PONTUAÇÃO
LEIA
E RELEIA A PIADA PARA QUE VOCÊ POSSA COMPREENDÊ-LA E DEPOIS REESCREVA-A USANDO
A PONTUAÇÃO E PARAGRAFAÇÃO ADEQUADAS.
H.C.P. EF35LP07
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